07 de Maio, 2019

Planejamento é palavra chave em saneamento, diz Carlos Martins

Ex-secretário de Estado do Ambiente em Portugal fala sobre a trajetória do País e o exemplo para o Brasil

Estratégias claras e planejamento adequado são as chaves para o sucesso de uma boa gestão nos setores dos resíduos, águas e saneamento. É o que afirmou Carlos Martins, ex-secretário de Estado do Ambiente de Portugal, durante palestra magna na abertura do 49º Congresso Nacional de Saneamento da Associação Nacional do Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), na segunda (06), em Cuiabá (MT).

“Em 2020, Lisboa será a capital verde da Europa. Estou aqui para contar como foi o nosso processo para transformar Portugal em um país com mais de 350 lixões em um exemplo mundial em 20 anos. O que vimos foi a necessidade de transformar o problema em oportunidade com planejamento claro: quem vai fazer? Como? Quando? E por quanto?”, explicou Martins.

Durante a palestra, ele contou detalhes deste processo como, por exemplo, as armadilhas. “Acreditar apenas em soluções legislativas, em soluções tecnológicas mirabolantes, em soluções voluntaristas sem foco, não verificar a sustentabilidade econômica são pontos que devem ser verificados com atenção para o sucesso do projeto”, disse.

Então, desde 1996 foram aplicadas estratégias que levaram ao que hoje é considerado um exemplo de gestão de resíduos. Atualmente, não há mais lixões no País e a coleta destes resíduos é feita de forma seletiva, ou seja, cada resíduo é de responsabilidade de um órgão. Por exemplo, o lixo hospitalar é de competência da pasta da Saúde, os resíduos agrícolas, da pasta de Agricultura.

Para chegar a este resultado, o plano português era a construção de novas infraestruturas, encerramento dos lixões e criação de sistemas de logística reversa com coleta seletiva, além de campanhas contínuas de educação ambiental.

“Prevenção é importante, mas em economias em desenvolvimento há mais consumo e, por consequência, mais produção de resíduos. Não podemos ignorar este fator”, falou Martins. Nos últimos dez anos, o trabalho se fixou em transformar lixo em recursos financeiros com a geração de energia.

Em relação à água, o atual assessor do Conselho de Administração do Grupo Águas de Portugal, responsável pelo setor em todo o País, contou que na década de 70 somente 2% da população portuguesa tinha acesso à água tratada. Hoje, 99% da população é atendida e em 91% das torneiras é possível beber água potável e própria para consumo.

O 49º Congresso Nacional de Saneamento da Assemae prossegue até esta sexta-feira (10) no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá. O evento marca os 35 anos de criação da Assemae e os 300 anos da capital mato-grossense. Considerado o maior evento municipalista da área de saneamento, o congresso tem previsão de reunir mais de 2 mil participantes em uma programação que inclui mesas-redondas, painéis, minicursos, apresentações de trabalhos técnicos, exposições de tecnologia e feira de saneamento básico.

Mais informações: www.assemae.org.br/congressonacional.

 

Última modificação em Terça, 07 Maio 2019 13:01
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