12 de Mai, 2022

Mesa-redonda promove reflexão sobre novas tecnologias e situação do tratamento de efluentes no Brasil

O uso da tecnologia "Membrane Biological Reactor" (MBR) no tratamento de efluentes pela Sanasa, de Campinas, foi um dos destaques da Mesa-redonda com o tema “Tratamento terciário – O Futuro das ETEs Convencionais”. A inovação da qual a Sanasa é pioneira no uso na América Latina, foi apresentada pelo gerente de Operações de Esgotos da Sanasa, Renato Rossetto. "Trata-se de um sistema biológico destinado ao tratamento terciário que começou a operar em 2011", relembrou. As membranas de ultrafiltração são utilizadas pela ETE EPAR Capivari II na produção da água de reuso. O sistema impede a passagem de vírus, bactérias, sólidos e nutrientes sem a necessidade de utilização de produtos químicos no processo de tratamento de efluentes, deixando a água com 99% de pureza.

Entre os benefícios em comparação com a ETE tradicional estão menor área para implementação, menor consumo de produtos químicos, a geração de um efluente com qualidade estável e possibilita a desinfecção, sem a geração de subprodutos químicos. "Além disso, possibilita a geração de receita com a venda da água de reuso", acrescentou. A capacidade de produção é de 360 litros de água de reúso por segundo.

O engenheiro químico do Dmae, de Porto Alegre, cidade que sedia o Congresso, Allan Guedes Pozzebon, refletiu sobre a situação do tratamento terciário da capital gaúcha e propôs um questionamento sobre o tema da mesa-redonda: o tratamento terciário é necessário no Brasil? “Não há uma resposta padrão para o País como um todo. Ainda estamos longe até mesmo de atingir o tratamento secundário”, reflete. Hoje, um dos focos de Porto Alegre é elevar o tratamento de esgoto, que representa 53%. São oito as ETEs distribuídas pela cidade.

Em sua participação, o professor da Universidade de São Paulo (USP) José Carlos Mierzwa apontou que os principais desafios enfrentados pelo Brasil em relação ao tratamento de efluentes inclui a falta de incentivo ao desenvolvimento tecnológico, o desenvolvimento de equipamentos e a capacitação de profissionais para a sua utilização. “Também é importante identificar a melhor opção tecnológica para cada demanda e não adaptar a demanda à tecnologia que se pretende utilizar”, explica. "Além de aspectos econômicos como custos associados à tecnologia de tratamento e perdas econômicas pela degradação. Não adianta falar em tratamento sem abordar a viabilidade econômica”, acrescenta.

A coordenação do debate foi do presidente da Regional Rio de Janeiro da Assemae e diretor do SAAETRI de Três Rios (RJ), Jean Louis Silveira.

 

Última modificação em Terça, 17 Mai 2022 18:52
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