26 de Setembro, 2023

Especialistas destacam a importância do planejamento na redução de perdas de água

Durante 51º CNSA, mesa redonda abordou os desafios e as ações necessárias para se atingir e manter os índices baixos

Uma mesa redonda realizada na manhã de quinta-feira (20) teve como tema “Gerenciamento e redução de perdas de água e eficiência energética”. O debate aconteceu durante o 51º Congresso Nacional de Saneamento da Assemae, em Poços de Caldas (MG).

O bate-papo contou com a presença de especialistas e representantes de autarquias e serviços municipais de saneamento básico, que apresentaram ações e medidas para a redução de perdas e melhorias dos índices, além de discorrerem sobre os desafios e dificuldades no gerenciamento dos sistemas.

Luiz Pladevall, Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES – SP), destacou que planejamento e gestão são a chave para a redução e controle de perdas. Ele explicou que as perdas de água são um problema mundial, geradas a partir de baixas performances da grande maioria dos sistemas. Comentou que não existe perda zero, mas em alguns países e cidades, com planejamento, conhecimento, recursos e gestão, foi possível atingir e manter baixos níveis de perdas nos seus sistemas.

Programas de redução e metas

Pladevall apontou que um programa de redução e controle de perdas deve fazer parte do planejamento estratégico das operadoras de água, incorporando metas e recursos a serem alcançados para sua viabilização. Além disso, a estruturação de um plano de perdas deve considerar aspectos técnicos, econômicos e de práticas de gestão, como forma de dar sustentabilidade às ações e trazer resultados.

O presidente da ABES também elencou as principais ações para redução das perdas de água, tanto as aparentes, quanto as reais.

Para perdas reais:

  • Cadastro técnico e georreferenciado atualizado e confiável;
  • Implantação de macromedidores;
  • Implantação e monitoramento de Distritos de Medição e Controle (DMCs );
  • Gerenciamento de pressões;
  • Controle ativo de vazamentos.

Para perdas aparentes:

  • Buscar 100% de hidrometração;
  • Cadastro comercial georreferenciado atualizado e confiável;
  • Combate às fraudes e irregularidades de medição dos hidrômetros.

“Um gestor de perdas onde a gente integre todas as informações em um único lugar, eu diria que é o sonho de consumo de todo mundo, um sistema onde todos possam ter acesso às informações georreferenciadas, ao sistema comercial, ao sistema de manutenção, a outros projetos que estejam acontecendo, para se acompanhar a evolução e também com um modelo hidráulico integrado, que é um diferencial. Isso sim seria o ideal,” destacou.

As metas do Novo Marco Regulatório, (Lei 14.026/2020) também foram citadas durante a mesa redonda. De acordo com a portaria nº 490, editada em março de 2021, pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, o Índice de Perdas na Distribuição (IPD) deve ser menor que 25% até 2024. Segundo dados apresentados pelo presidente da ABES – SP, em 2020, o índice de perdas nacional estava em torno de 40%. “Baixar de 40% para 25% em 10 anos é muita energia a ser aplicada nesse processo. Então, a gente precisa olhar para os sistemas e identificar o que precisa ser feito para a gente conseguir atingir essa meta em 10 anos”, disse.

Modelos e exemplos

Ainda durante a mesa redonda, os palestrantes convidados apresentaram seus modelos de programa de redução de perdas de água e eficiência energética.

 O Gerente de Aprovação de Projetos e Fiscalização de Obras do Samae de São Leopoldo (RS), Kauê Pereira Guimarães, apontou que a operadora tem investido na substituição de redes e hidrômetros, no programa de eficiência energética e em melhorias na elevatória de água bruta. Além disso, o SAMAE conta com um turbogerador anfíbio, equipamento que gera energia ao regular a pressão da rede de distribuição e também investe em microgeração fotovoltaica, contando uma unidade de 60 kWp em funcionamento e  duas novas unidades de  72 kWp em execução.

O gerente de controle de perdas e sistemas da Sanasa de Campinas (SP), Ivan de Carlos, também compartilhou as principais estratégias adotadas na autarquia, entre elas: o monitoramento e análise de indicadores de perdas de água; a gestão da macromedição e da micromedição; controle de pressão e o cadastro e geoprocessamento técnico.

“O controle de perdas é um caminho sem volta. Deve ser um programa eficiente e contínuo e qualquer redução dos esforços, em quaisquer das áreas de atuação, irá comprometer o trabalho e os resultados obtidos. E é normal, se você baixa a guarda, a perda sobe, então tem que ser contínuo e evolutivo”, finalizou Pladevall.

Última modificação em Terça, 26 Setembro 2023 16:45
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